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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Todas as migalhas contam

Um apelo à participação no projecto "A Formiga Juju e o Sapo Karibu"


Sou a Cristiana, nascida em Moçambique, residente em Maputo há 5 anos.

Quando vejo uma criança descalça e esfarrapada vasculhando o lixo durante a noite (infelizmente vê-se muito...), surge-me um misto de revolta e tristeza. Quando ouço um jovem cantar um rap sobre uma infância de abusos e negligência, surge-me um misto de ternura e indignação.



Sei que, sozinha, não posso mudar a situação. Mas se nos juntarmos todos, conseguimos melhorar nem que seja um dia na vida deles (e ao fazê-lo, transformarmo-nos a nós próprios).

No ano passado, descobrimos um modelo de financiamento que bebe desta filosofia e converte-a em acções concretas: o crowdfunding. Assim nasceuA Formiga Juju na Cidade das Papaias. Era uma história moçambicana, bem próxima da realidade das crianças a quem queríamos chegar (com papaias, capulanas e marrabenta no fim). Recorrendo ao PPL-Crowdfunding Portugal, conseguimos fundos para distribuir gratuitamente o livro em escolas da periferia e instituições de apoio a crianças em situação de vulnerabilidade.

Aquele pequeno livro foi o ponto de partida para acções de leitura e animação de contos, ateliers de desenho, formação de activistas, plantação de papaieiras e muitos convívios! A equipa – o Walter, a Mia, a Suzana, a Sheila, a Maria João, e tantos outros que voluntariamente se juntam a nós – arregaçou mangas e empenhou-se de alma e coração para levar a história a um número cada vez maior de crianças. Graças a essa dedicação, e às parcerias que estabelecemos, o nosso raio de alcance ultrapassou qualquer expectativa: chegámos às províncias de Maputo, Gaza, Sofala e Niassa (em Moçambique) e ainda a Luanda (em Angola).

Animados com a adesão a este movimento espontâneo, quisemos aprofundar o impacto das nossas intervenções. Assim surgiu a ideia de fazer algo mais do que um livro. 


É altura de vos apresentar o Sapo Karibu.

O Karibu é um sapo viajante, resistente e resiliente. É mudo, mas isso não o desanima; conhece muitas outras formas de comunicar. A longa amizade entre ele e a Juju deu o mote para uma história que defende valores como a diversidade, a inclusão e o espírito de comunidade. Assim surge o projecto “A Formiga Juju e o Sapo Karibu”, que servirá de piloto a favor da educação inclusiva em Moçambique.

Para além de produzirmos o livro para distribuição gratuita, decidimos acrescentar um puzzle e um vídeo com a adaptação da história em língua de sinais. Esta era uma forma de chegar a crianças com necessidades educativas especiais – uma área para a qual nos sensibilizámos ao trabalhar com a DSF-Douleurs Sans Frontiéres. Felizmente, contamos com o apoio desta organização francesa para a implementação do Karibu.

Mas não só... queríamos também prolongar o contacto das crianças com os livros e a leitura para além das nossas curtas passagens. A resposta veio na forma de uma biblioteca ambulante. Conhecíamos o modelo inovador que outro parceiro fundamental, a Aidglobal, implantou em Gaza a partir de um tchova, uma carroça movida a força braçal normalmente usada no mercado informal para venda de fruta, recolha de sucata, entre outros. A bibliotchova circula na comunidade, criando uma rede de professores/animadores que promovem diversas actividades em torno do livro e da leitura.

Aqui podem ler informação detalhada sobre o modelo do bibliotchova.

Sabíamos que, para ter sustentabilidade, era indispensável que o projecto fosse acompanhado depois da fase de implantação da biblioteca. Para isso, temos a sorte de contar com apoio da Associação Livro Abertoa bibliotchova da Juju vai ficar acoplada ao programa que desenvolvem no bairro da Mafalala. Semanalmente, uma equipa de voluntários dedica várias horas a turmas do ensino primário nos bairros mais pobres de Maputo com acções de literacia e dinamização da leitura. Uma das actividades que fazem com as crianças é criar livros a partir de cartão reciclado.

Poderão questionar se estamos a ser demasiado ambiciosos: como é que vamos fazer tanto com tão pouco? É certo que o valor que pedimos (6000 euros) é reduzido para um projecto desta dimensão. A questão é que cobre apenas os custos de produção/distribuição do livro e do puzzle, além da construção da bibliotchova. Tudo o resto – o vídeo em língua de sinais e as sessões de capacitação dos professores nas escolas da zona de intervenção – está integrado na contribuição de cada parceiro, segundo a sua área de intervenção.

Quisemos, desta forma, fugir à lógica dos doadores convencionais e permitir que o projecto fosse participado por uma infinitude de pessoas, em qualquer ponto do planeta.

Aquilo que nos move é muito simples: é tão fácil mudar o mundo se começarmos por nós próprios. Sem grandes ilusões, apenas um passo de cada vez.


Por isso, estamos aqui. Apelando à participação de todos no projecto da Formiga Juju e  Sapo Karibu! Nós que somos formigas sabemos que todas as migalhas contam.


Como se diz em Moçambique: estamos juntos!


Um abraço,
da Cristiana


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